21 de set de 2010

Meu grande tesouro

Hoje, durante o almoço na casa de minha mãe, mais uma vez tive a certeza do quanto sou privilegiada na vida. Um simples almoço com duas portuguesinhas que tem tanta história, tanta vida pra contar, que a comida fica completamente em segundo plano.
Minha avózinha, D.Maria como tantas Marias portuguesas, está com 93 anos e nasceu em Leiria. Em sua terra Natal, junto com minha mãe ainda menina, vendiam peixe. E aí está a maravilha do meu almoço. Todos os dias elas me contam um pouco de suas vidas, das tradições do seu, do meu povo. Eu fico encantada vendo aquela figurinha pequenina me contar com tanta lucidez, as suas aventuras e desventuras, com um brilho no olhar que contagia. Uma hora ela conta, outra ela canta. Por vezes ri, e outras tantas chora. Minha mãe acompanha as memórias, e corrige ou acrescenta algumas informações. Um almoço cultural onde aprendo muitas coisas, muitas, é como um ritual.
Hoje comemos peixe, um típico almoço à portuguesa, com batatas cozidas com a casca, e um delicioso azeite português.
E D.Maria começa a contar a sua viagem para o Brasil. Minha mãe já estava aqui, veio sete anos antes de minha avó. Mamãe me conta que a sua avó adotiva, a Vó Môca, mandara dizer à minha avozinha que aqui no Brasil não tinha nada (esperta a Môca). E minha avó então, resolveu se abastecer para a viagem. Ela conta que a bordo do Vera Cruz, navio onde veio grande parte dos portugueses daquela época, trouxe 50 garrafões de 5 litros de vinho, 50 garrafões de 5 litros de bagaceira (uma aguardente feita do bagaço da uva), batatas, melões, peras, carne e linguiça de um porco que ela tinha e que dias antes tinha mandado matar para trazer. Aí ela lembra do porco e da marrã (a fêmea do porco), e me conta de seus bichinhos, e a viagem continua, enquanto saboreamos a anchova com batatas. Na sala de estar, a televisão passa a festa da vindima na tv por assinatura, e começamos a ouvir "Lá em cima está o tiroliro liro, cá embaixo está o tiroliroló..." e eu viajo até Portugal na sala de jantar da casa de minha mãe.
Esse é meu tesouro mais rico, um tesouro que não tem preço, mas tem muito valor. A cada dia me alimento de comida e de cultura, mais que isso, de amor pela história, pela tradição, pelo Fado e por Portugal, que eu só conheço nas memórias delas. Queria poder dividir com vocês o que tem sido minha vida, meus almoços, meus jantares, todas as histórias e memórias que ouço e o tanto que aprendo. Como é rico isso.
Agradeço a Deus todos os dias pela pequena família que me deu, apenas uma avózinha e minha mamy, mas nessa família pequenina, há uma união e um amor tamanhos, que me sinto realmente abençoada. Esse é meu tesouro, que todos os dias eu admiro e dele usufruo.
Você que tem um idoso na família, ou alguém que é imigrante, seja de qual nacionalidade for, ou mesmo brasileiro, já parou para ouvir sua história de vida? Já lhe deu um pouco de atenção? Experimente, tenho certeza que terá muito a aprender e a contar também.
E agora, apresento a vocês um dos meus tesouros:


"O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã." Leonardo da Vinci

Beijokas




4 comentários:

  1. Olà parabens à cantora velhinha.
    assim jà nao é de admirar como é que a filha Adélia canta tao bem.
    beijokas para todas do Agostinho
    diz à tua avo que é o neto da "Masdébica"

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  2. Eta a vózinha tá na net, e assim com toda a sua vivência ela nos encanta e nos matar de rir.]
    beijos

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  3. lindissimo,nem imaginas a alegria que me deste ao ver o video da avozinha,fez-me recordar outras avos que cantavam tambem muito bem.Certas noites de inverno a lareira a tua outra avo disia-me carlitos vai buscar a guitarra,e eu acompanhava-a.Tinha lindas cançoes essa que ouvimos e outras e a noite prolongava-se com as cantigas da minha avo Maria Jose Bica e as da minha mae que cantava tambem muito bem.Enfim lindas recordaçoes.....Beijinhos para as tres meninas

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  4. Do quanto que você é abençoada com essa família eu concordo,não temos laços de sangue,mas sou apaixonado,e amo sua família,e graças à Deus por também ter as minhhas avós vivas,que também me contam como era o cotidiano delas antes de vir para o Brasil,então sei extamento o orgulho que você sente.Beijos

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"LUJINHA" DA CLAUDINHA

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