25 de set de 2010

Olhos do coração

Já pararam pra pensar que as pessoas que amamos nos parecem sempre do mesmo jeito? Como se o tempo não passasse, como se fossem eternamente jovens. Ainda não sei se é nosso cérebro que nos engana, porque nos acostumamos a vê-las com frequência, ou se as vemos somente com os olhos do coração. Talvez as duas coisas. As mães vêm os filhos sempre crianças, e os filhos vêem os pais sempre eternos heróis. Nossos amores, sempre lindos, nossos príncipes e princesas sempre encantados.
Acho que no fundo é uma defesa, porque sabemos que envelhecer é natural mas cruel. É a maior injustiça que o Criador fez com o ser humano, obrigá-lo a assistir sua mãe, seu pai e as pessoas que ama evelhecerem, e saber que um dia todos iremos partir.
Nascemos, crescemos, nos preparamos para a vida, mas não nos preparamos para enfrentar a velhice dos nossos amados. A nossa talvez não importe tanto, mesmo porque não a sentimos intimamente, a alma não envelhece, mas a deles machuca. Por isso os vemos sempre jovens, fortes e belos. É mais fácil viver assim.
Quanto a nós, temos sempre a tendência a nos sentirmos eternamente mais jovens do que a idade cronológica. "Ah, eu tenho 45, mas me sinto com 20!" Todos passamos por isso. Aí derrepente vemos a foto de algum amigo nosso, da mesma idade e nos deparamos com o susto. "Será que estou assim velho também?"
Como é difícil enfrentar o tempo!
Acho que se pudéssemos, todos seguraríamos o relógio um pouco mais, mas não é possível.
Por isso devemos viver, viver muito, amar, beijar, abraçar, tirar proveito de cada minuto, de cada segundo de nossas vidas, de cada instante com nossos amores. São momentos preciosos que não voltam.
Palavras que não falamos, beijos e abraços que não demos, quanta coisa não fizemos? Por isso, por mais cliché que seja, vivamos cada minuto como se fosse o último.
E continuemos olhando com os olhos do coração, que tanto nos fazem bem.
O coração vê além do corpo, ele vê o que realmente amamos nessas pessoas, ele vê o que não envelhece jamais.

"A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade." Friedrich Nietzsche


2 comentários:

  1. Cláudia, querida! longe de mim a pretensão de repreender qualquer ponto do teu texto, que, aliás, é muito comovente. Gostaria apenas de comentar o que sinto: gosto de pensar (me faz bem pensar assim) que embutido no processo de envelhecimento está um enorme ganho espiritual (próprio de quem se predispõe a tal processo) para justamente lidar com questões complicadas como a decadência física. Através desse ganho, passamos a entender o verdadeiro sentido da vida. Entendemos que ela é curta e, portanto, preciosa. Já paraste para pensar na quantidade de fatores que se sucederam a fim de nos permitir estar agora aqui, vivos neste planeta? A vida humana é um gigantesco golpe de sorte, certamente planejado por uma forma de inteligência superior e divina. Curta e preciosa, por isso precisamos nos deixar inspirar sempre pela grandeza, se quisermos deixar uma bela marca e torná-la imortal através dos filhos, netos e de quem mais lembrar-se de nós com carinho. Seja sempre grande, Cláudia! Boa vida!

    Ah, este é um outro perfil meu, que pouquíssima gente conhece, caso você se pergunte.

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"LUJINHA" DA CLAUDINHA

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