2 de nov de 2010

The days after

Pois é. Esperei passar o dia de ontem, a minha frustração, para poder escrever aqui no blog. Aliás, nem sei se é bem frustração o nome, não sei definir, porque ao mesmo tempo que tinha fé na vitória do meu candidato, sabia que o Brasil ia me decepcionar novamente, isso já havia acontecido antes, várias vezes. É complicado você enxergar as coisas de uma maneira e não conseguir fazer com que os outros também enxerguem. Já disse que não sou dona da verdade, sou dona da minha verdade, mas me pareciam tão óbvias algumas coisas, que cheguei a pensar que o povo acordaria. Eu acompanhei nestes últimos anos, contrariadamente porque não votei em Lula tampouco, toda a espécie de barbaridades e falcatruas escancaradas pra todo mundo ver. E nem bem ela esquentou a cadeira, já vemos entrevistas com José Dirceu, Palocci, todos voltando, como era esperado. É um Halloween que vai durar no mínimo 4 anos.
E assim, acompanhamos a vitória da impunidade, descobrimos que no Brasil, o crime compensa. Eu até entendi a fome do brasileiro por eleger um operário, um chamado "homem do povo", apesar de que pra mim todos são "do povo". Era aceitável isso. Mas agora tivemos um homem de origem humilde, filho de verdureiros, que estudou em escola pública, batalhou para vencer na vida, e lutou com dignidade pela liberdade, disputando com uma filha de "burgueses" (eles chamam assim) da classe média alta, que estudou em colégios pagos, sem dificuldades, e que em nome de uma suposta liberdade, que na verdade seria outra ditadura, lutou da forma mais terrível, como guerrilheira. E quem vence? Eu não entendo o critério, juro. Para mim não há o mínimo de bom senso nisso. Além do que a vitória dela mais me parece uma derrota, porque dos 135 milhões de eleitores, 80 milhões não votaram nela, o que mostra que ela foi eleita pela minoria. Pior foi ver o humilde operário, arrogantemente dizendo que o homem que conquistou 45 milhões de votos, que trouxe de volta o patriotismo e a oposição ao país, José Serra, saiu menor desta eleição. Como? Ao contrário meu caríssimo Lula, ele sai muito maior, maior que seu partido, com uma legião de seguidores que acredita nele, porque não votamos no partido, votamos na pessoa.
E, ao contrário da suposta lição que a presidente eleita diz que os pais agora podem dar a seus filhos, que uma mulher pode ser qualquer coisa, a lição que fica mais clara infelizmente, aliás não só uma, é que não é necessário batalhar, estudar, vencer, basta conhecer as pessoas certas e ter QI, o famoso "quem indicou", a outra é que não precisamos trabalhar para ter o que queremos, basta lutar, protestar, ir para as ruas, invadir, ou nos filiarmos a alguma entidade de classe ligada ao partido do governo, mais, que pode roubar, enganar, mentir, basta depois dizer que não sabe, não viu, e jurar isso até a morte. Ai são tantas as lições, tantas. Mas uma coisa sei que ganhamos de positivo. Ganhamos um líder. Um homem que nos trouxe de volta a vontade para lutar pelo Brasil que acreditamos e pela manutenção da democracia e da liberdade.
Vamos em frente, pois o BIG SISTER BRASIL acaba de começar, e estamos "de olho". Boa sorte à nova presidente, e que Deus nos proteja.
Deixo pra vocês um poema que conheci ainda no ginásio, e que é perfeito para o momento. Sei que vão gostar.


2 comentários:

  1. Muito legal o seu artigo, Cláudia. Você conseguiu sintetizar o sentimento de todos os que lutaram por um Brasil melhor. Mas tudo bem... Não vamos desistir de tentar fertilizar com valores a mente do maior número possível de pessoas. Muitas vezes desconhecemos a nossa capacidade de influenciar. As vezes deixamos marcas boas e indeléveis quando passamos pela vida das pessoas. Não desista. Parabéns

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  2. Muito legal o teu blog, Cláudia! Tudo aqui é profissional demais! Um show! Vou te seguir, claro, e assim espero que possamos manter esse vínculo. Sobre o teu artigo, ah, eu fiquei muito triste também e ainda estou até agora. Inclusive, não estipulei prazo para recuperação total. Acreditei demais, acreditei mesmo na vitória e ignorei todo o resto. Bom, não me arrependo de nada. Se fosse para fazer de novo, faria igualzinho. Deve haver algo de positivo nessa minha atitude, digamos, Kamikaze. Ainda não descobri o que, mas que há, há. Eu te conto quando descobrir. Por enquanto, fico aqui investigando. Tudo de bom pra ti, muito sucesso!

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"LUJINHA" DA CLAUDINHA

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