14 de jan de 2011

O Dedo de Deus e a mão do homem

Todos que me conhecem sabem que sou uma pessoa alegre, otimista, positiva. Procuro sempre estar de bom-humor porque acredito que tudo flui melhor assim. Os problemas virão sempre, a forma como eu os encaro é minha escolha. Quando fico triste procuro não contaminar ninguém, porque as pessoas contam com o meu sorriso, com o meu otimismo. Deus e meu travesseiro é que partilham comigo minhas tristezas quando as tenho. Mas o que está acontecendo no Brasil conseguiu tirar o sorriso do meu rosto.
Não tem como não nos envolvermos, não nos comovermos com tamanha dor que essa população está vivendo. Os egoístas, nesse caso até monstros, diriam "antes eles do que eu", mas não dá, dói na gente. Não é só a imensa dor da perda de entes queridos, de amigos, ou de bens materiais duramente conquistados durante vidas inteiras de trabalho. Mas é principalmente a solidão de cada um, dentro de seu coração, a sensação de vazio, de não ter mais passado, viver a total incerteza do futuro e o pesadelo do presente.
Uma tragédia anunciada por anos de desastres, por milhares de mortos em anos de descaso com a população, anos de descaso com o próximo. Ninguém fez nada, ninguém faz nada, e não se enganem ninguém fará nada. Mais uma tragédia, desta vez a maior da história, se abate sobre nosso país e mais uma vez também só o que temos é o desfile de populismo hipócrita. Agora começam, antes mesmo de enterrar todos os mortos, as acusações, a busca de culpados, ou melhor, a busca por achar alguém que não sejam eles mesmos para arcar com a culpa pela tragédia. Quando vamos entender que a culpa é de todos nós? Nós que somos cordeiros nos entregando ao abate. O povo do pão e circo, do carnaval, do trio elétrico.
Diante dessa reflexão obrigatória que tais tragédias nos impõem, pelo menos aos seres normais, me lembrei que exatamente na região mais afetada pela tragédia se encontra um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil - o Dedo de Deus. E pensando nisso, vi o quanto a imagem dessa formação é simbólica. Parem e olhem, analisem. É como se Deus mostrasse ao homem de onde viria a tragédia. Pois enquanto o Dedo de Deus nos alertava, a mão do homem destruía. Até quando o ser humano vai se achar o dono do mundo? A natureza é muito mais poderosa que nós. Tanto desmatamento, poluição, tanto pouco caso com o NOSSO LAR. Isso tem um preço, e temos sido cobrados o tempo todo, ultimamente com cada vez mais desastres "naturais". Naturais? Naturais nada! Natural é o curso do rio no lugar dele, a árvore no lugar dela, o ar limpo, o lixo no lixo. E o homem continua enfrentando a natureza como se fosse um inimigo atrapalhando o seu desenvolvimento.
O Dedo de Deus aponta para o céu, de onde veio a água que matou e mostra também que alguém lá em cima está olhando por nós. Mostra que Ele se importa e que estará sempre nos auxiliando. E nos pede que, apesar da tragédia, tenhamos fé, que sejamos solidários, que acordemos para a nossa pequenez diante da natureza. Não importa sua religião, todos acreditamos num Deus, numa força superior, e a Ele devemos recorrer agora.
Na dor todos somos iguais.



11 de jan de 2011

Doce vovózinha

Desde criança aprendemos, e muitos têm o prazer de constatar isso, que avós são doces velhinhas, que nos preparam bolos divinos, compotas, fazem crochê, tricô, aquele bolinho de chuva delicioso, contam historinhas, meio Dona Benta do Sítio do Pica Pau Amarelo. Que delícia é ter uma avozinha! Que criatura doce, é a própria representação da doçura, é o açúcar de Deus.
Pois, eu fui premiada. Minha avó não é de açúcar, é de pimenta! A mais pura pimenta malagueta! Como eu poderia ser normal? Quem acha que Dercy Gonçalves era hilária, com todo respeito à sua memória, não conhece a minha avó! E quem conhece, jamais esquece.
D.Maria, ou Masdé, é portuguesa e comemora dia 26 de fevereiro próximo 94 aninhos. 94!!! Viúva desde os 32 anos de idade, nunca mais namorou. Só teve um amor na vida, e que amor.
A pimentinha é uma piada. Muito vaidosa, adora se arrumar, faz ginástica todos os dias ao acordar e massagens na pele do rosto para não ter o terrível "papo". Não faz crochê nem tricô, mas fazia uns biscoitinhos e uma carne assada como nunca provei iguais. Historinhas? As que ela conta são impróprias para criancinhas! Saúde de ferro, não tem diabetes, parkinson, alzheimer, colesterol, triglicérides, nada, absolutamente nada, a não ser a pressão que tem que controlar um pouco, mas normal. Costumo falar que eu e minha mamy temos que deixar um tutor preparado para quando nós formos embora pra outra vida. Temos que deixar alguém para tomar conta dela. É, porque a danada vai durar uns 120 anos no mínimo, e deve enterrar a família toda. Incrível. Tem uma memória impressionante, tanto de fatos antigos de sua mocidade, e olha que faz tempo, como recentes. Não esquece nada. Esperta, malandra, chantagista, uma figura mesmo.
Talvez por ter sofrido tanto em sua infância e juventude, hoje ela se dá ao luxo de ser assim. Hoje não, faz tempo que ela é assim. O Marquês de Maricá disse uma coisa que acho que serve como uma luva pra ela: "Sofrei privações na mocidade, e sereis regalados na velhice." Só que no caso dela as privações não foram por vontade própria para guardar pro futuro, foi uma vida difícil mesmo, de passar fome e frio inclusive. Mas não vem ao caso. O que eu queria era deixar com vocês essa explicação para que entendam a foto que tiramos dela no Natal. Ela é assim. Adora uma farra, uma piada, cantar e falar muita besteira, mas muita mesmo.
E com um doce de vovó assim, que eu não troco por nenhuma Dona Benta, me pergunto, como eu pude crescer normal? Aliás, eu sou normal?
Beijokas a todos.
Vocês não acham que uma revista dessa ia fazer o maior sucesso?
Olha aí, vovozinha tá aceitando convites!
Aliás, com o corpinho que ela tem (sem celulite ou estrias, ai que inveja!) dava até pra posar pra revista masculina, bem a cara dela! rsrsrsrsrssrsrsrsrsrsr
 

"LUJINHA" DA CLAUDINHA

http://www.zazzle.com.br/clautulimoschi*

wibiya widget